Wednesday, September 29, 2004

Quem ouve nunca mais dela se esquece


Entre números passeava olhando o fio da meada. Bocas e fios de cabelo imaginários, como nas ficções de borges, não eram as ruínas circulares sua história preferida desde sempre? Não, era os dois reis e os dois labirintos, ou outro nome parecido. Anyway. Imaginar jamais, o segredo seria não imaginar. Pois de mim não se ouve uma palavra, minha trilha sonora sempre foi melhor escrita que falada.

Parar pra que pra que parar parar o que?

Mistérios. E quem viveria sem saber? Minutos escoando. Tempo imobilizado. Pensamento fixo. Não agora, não depois de descobrir que os gatos. O sudoeste entrando torto entre dois prédios, hoje é lua cheia, se não é foi ontem, deu quase pra sentir ele ontem à noite, o tempo da colheita, mudança de estação. Os aviões passando a todo instante. Quer bicho de pé? Bicho de pé? Ah um doce? Nunca ouvi falar...até ontem. É, num site.

E se sonhasse, que deus viria tornar real o sonho que sonhara (não um deus canino, mas sim um deus felino, please), e anular todos os outros, e precisar, precisa? Melhor pensar de outra maneira. Tipo: não é o que me falta. Deve ser o queu já tenho o que me atrai, eu que também sou bicho. A novidade, a felicidade e o deslumbramento de encontrar nali descritos os rastros de alguém da sua própria espécie.

Deve ser isso.

Balada Inabalável


Inda não consegui
Nem acertar a mão
Nem me dividir
Mas já andei me esquentando ao sol

Thursday, September 23, 2004

Cariocas não gostam de dias nublados


É como me lembro:
Quando é seis horas no cais da Mauá
E a barca grita seu apito
Sei que é hora de pensar em ir
Que se me demoro mais
E não me agito
Se vai minha parte quente
E não terei onde dormir

(Já por aqui nestas terras que não tem cais
Se por ventura apitasse a barca
Seria por encalhar nas marginais)

É como me sinto:
A vida aqui me passa como quem já passou
A barca não grita e não vou
Não há docas que me levem
Nem horizontes decentes
passa-se a cama pra dormir
e o nariz entope
de mofo e de solidão.

Wednesday, September 22, 2004

A Primavera é quando ninguém mais espera

Chega de tentar dizer o que eu não sei. Muita calma nesta hora!, vou acabar ficando louco. Você tem matéria que me encanta como poucos - mesmo sabendo da missa a metade. Tinha lá dentro de mim um algum de você, coisa mais engraçada, coisa de ressonância. Talvez coisa mesmo entre centauros. Enfim. Vibrou demais, já reforcei a ponte. Me encantam (e me confundem) os espelhos que se refletem ao infinito, os labirintos, e o queu não sinto.

Gosto de deixar meu começos pro fim, vai parecer queu desisto fácil. Talvez até. Ando fugido. Até 30 de setembro eu nem existo e depois sumiço, fazer o que? O tempo não dá mais tempo, o que fizemos com o tempo? Derrubar o tabuleiro, trapacear, tergiversar? Centauro eu não fosse, centauro seria de qualquer jeito. Minha seta apontada pros proprios cascos. Meu rei por um pouco de descanso. Noites queu não durmo sem saber onde é a cama.

Monday, September 20, 2004

E o Peão tremeu

Fodeu.
Eu fico imóvel
Analisando o movimento.
Juntando dois e dois
Às minhas chances de escapar.